quarta-feira, 27 de julho de 2011

MARIA DO SOCORRO

Quero viajar na minha intimidade humana, onde as ilusões são o que são, porque não há testemunhas visíveis encarnadas, pois sei que estou circulada por espíritos que choram e oram por mim. Ah quem me dera desaparecer assim como por encanto, sofrer minhas desilusões a sós. Compreender que a minha vida evaporou, saber a que o passado é simples advertência e que o futuro a Deus pertence.  Quem me dera ter uma simples e singela recordação daqueles que realmente conviveram comigo, pois foram meus professores mais carrascos, por isso, notáveis  em seus ensinamentos. Quem dera ter convivido com meus filhos, netos e ter tido um só dia de borboleta com eles.  Nada disso tem importância agora, apenas um forte abraço aos que vez por outra lembrarão que eu amava sorrir e adorava o mar de Icapuí.  Isso e um simples desabafo. Espero desta vez voar. Não sou católica, bastam-me o Sermão da Montanha, Evangelho Segundo o Espiritismo e a música “Emoções” de Roberto Carlos.  Estou doente e quem está comigo é uma filha do meu coração, maravilhosa, humana e de uma caridade sem limites.  Acredito que lá encima sou muito amada. Embora esteja no fio da navalha, ainda tenho esperança de sorrir mais um pouco por aqui,  mas....Tudo bem.  Assim seja!...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A FÁBULA DA CONVIVÊNCIA

FÁBULA DA CONVIVÊNCIA

“Durante uma glaciação, muito remota, quando parte do globo terrestre estava coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil. Foi, então, que uma grande corda de porcos-espinho, na tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, aconchegando-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro e, todos juntos, bem unidos, agasalhar-se mutuamente, aquecendo-se, e assim podendo enfrentar aquele tenebroso inverno. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um deles feriam os companheiros mais próximos, justamente aqueles que forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. Afastaram-se, então, feridos, magoados, frustrados e sofridos. Dispersaram-se por não suportarem por mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito... Mas esta não foi a melhor solução, pois, afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que sobreviveram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com tal precaução que, embora unidos, conservaram uma certa distância um do outro, mínima, porém suficiente para conviverem sem ferir-se, para sobreviverem sem magoar-se, sem causar danos recíprocos. Assim suportaram-se, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram!”
É fácil trocar  palavras... Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado ... Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto ... Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos... Difícil é reter o seu calor!
É fácil sentir o amor... Difícil é conter a sua torrente